Nos meus sonhos, você aparece sempre. Me conduz por estradas que desejei por tanto tempo, por sentimentos que ficaram represados, por encantamentos que já não cabem em mim.
Penso que, se o famigerado universo assim conspirou, talvez tenha sido melhor assim. Hoje, mais calejado pelas agruras da vida, consigo valorizar ainda mais esse sentimento que tomou conta de mim há tempos — e lá se vão boas três décadas.
Às vezes penso que nossa história ficou guardada, como naquela cena de “Chuva no telhado, vento no portão”. O mundo andando, a vida acontecendo, e a gente atravessando décadas sem se ver. Quilômetros demais entre nós, mas algo que não se dissolveu.
Porque o tempo, quando é de amor, não apaga: ele acumula. Vira saudade, vira lembrança viva, vira esse desejo que chega sem pedir licença. E, mesmo tão longe, eu sinto você perto do que mais protejo: a parte de mim que não desistiu.
Não quero cobrar do passado o que ele não deu. Quero o presente. Quero o dia marcado. Quero a estrada encurtando essa distância. Quero o momento em que você chega e tudo o que ficou suspenso cai no lugar certo — como se o coração pudesse respirar de novo.
E enquanto esse dia não chega, fica aqui a verdade simples, repetida com a firmeza de quem sabe o que quer: tô te esperando.
Porque quando você vier, a saudade não vai apenas passar. Vai trovejar. Vai cair um temporal de amor.
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