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Amor Hacker — três décadas até "nós"

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Quando parti de Cuiabá para Porto Velho, atendendo ao convite de meu irmão, eu estava numa situação franca de penúria — financeira e, sejamos honestos, também existencial. Trabalhava na Rádio Vila Real; o ano era 1987, se a memória ainda não estiver me sabotando. Larguei o emprego e fui. O futuro? Um conceito abstrato. Bora para mais uma aventura. A estrada não me era estranha. Já havia passado um tempo na divisa com o Paraguai, em Ponta Porã; servido na Marinha, no Rio de Janeiro; puxado boi magro de Cidade Jardim, no Mato Grosso do Sul, até Paranavaí, num caminhão boiadeiro. Eu já estava na vida. Quem sabe ali poderia dar certo. Porto Velho me recebeu sem promessas, mas com trabalho. Primeiro, locutor na Rádio Nacional, sem vínculo, mas com algum dinheiro entrando. Depois, Souza Cruz. Logo em seguida, troquei por outro emprego — nem melhor, nem pior — numa empresa de produtos farmacêuticos. Foi ali, como propagandista, que a vida começou a se mover de verdade, como se alguém tivesse ...

O Pássaro na Cruz

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  by Nêodo Noronha Dias Um pássaro solitário, muito triste, pousa na cruz de um cemitério abandonado, parecendo um símbolo desgraçado daquele que morreu, que já não vive. Uma lágrima caiu-me, não a contive olhando aquele quadro, aquela lousa. Meu coração sentiu alguma cousa, vendo na cruz o pássaro pousado.  Hoje recordo aquele quadro triste, e em minha ideia, hoje inda persiste, (e isso é pior que vil tortura) Não sei bem... mas tudo me faz crer, que aquele pássaro sempre vai lá ver um poeta em sua sepultura.