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O tempo não apagou o que não terminou

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O dia amanheceu cinzento, chuvoso e frio. Ainda assim, a certeza de que, em algum lugar longe daqui, você pensa em mim acalenta minha alma e a aquece. Mesmo entre nuvens e chuva, o sol insiste em brilhar nos meus dias. Nos meus sonhos, você aparece sempre. Me conduz por estradas que desejei por tanto tempo, por sentimentos que ficaram represados, por encantamentos que já não cabem em mim. Penso que, se o famigerado universo assim conspirou, talvez tenha sido melhor assim. Hoje, mais calejado pelas agruras da vida, consigo valorizar ainda mais esse sentimento que tomou conta de mim há tempos — e lá se vão boas três décadas. Às vezes penso que nossa história ficou guardada, como naquela cena de “Chuva no telhado, vento no portão” . O mundo andando, a vida acontecendo, e a gente atravessando décadas sem se ver. Quilômetros demais entre nós, mas algo que não se dissolveu. Porque o tempo, quando é de amor, não apaga: ele acumula. Vira saudade, vira lembrança viva, vira esse desejo que chega...

O Pássaro na Cruz

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  by Nêodo Noronha Dias Um pássaro solitário, muito triste, pousa na cruz de um cemitério abandonado, parecendo um símbolo desgraçado daquele que morreu, que já não vive. Uma lágrima caiu-me, não a contive olhando aquele quadro, aquela lousa. Meu coração sentiu alguma cousa, vendo na cruz o pássaro pousado.  Hoje recordo aquele quadro triste, e em minha ideia, hoje inda persiste, (e isso é pior que vil tortura) Não sei bem... mas tudo me faz crer, que aquele pássaro sempre vai lá ver um poeta em sua sepultura.