terça-feira, dezembro 09, 2025

Fio Azul (ou vermelho) - complemento do post anterior

Leitores e leitoras deste emblemático e insignificante blog. No último post eu senti certa dificuldade em finalizá-lo adequadamente, pois percebia que alguma coisa a mais poderia ser dita sobre o tema. Desafiei-os a complementá-lo e, com alegria imensa, recebi uma mensagem com um complemento. 

Ao lê-lo, considerei tão repleto de sentimento que achei que merecia um novo post, somente para ele. Eis o complemento: 

“Talvez o amor nos convoque porque sabe que somos feitos de brechas. Ele se instala justamente onde a razão não alcança, abrindo janelas por onde entram ventos que não controlamos. Há encontros que parecem sussurrar verdades antigas, como se duas almas, distraídas do mundo, reconhecessem uma à outra por algum código secreto que o tempo esqueceu. E, ainda assim, cada passo dado nesse território é novo, frágil, transparente, uma travessia em que o coração vai tateando no escuro, confiando mais na intuição que na certeza.

E quando o amor chega, ele não ilumina tudo: deixa sombras. Sombras que dançam com a luz, lembrando-nos de que até o mais doce afeto carrega mistérios que não se explicam. Talvez seja essa dança,  entre o que sabemos e o que pressentimos… que faz o sentimento pulsar. Amar é aceitar que algumas perguntas jamais terão resposta, e que mesmo assim vale a pena tentar decifrá-las. Porque, no fim, é nesse enigma que mora a beleza: em sentir sem entender, em permanecer mesmo quando o coração treme, em mergulhar sabendo que a profundidade é desconhecida.”  
Amazônia

E eu gostaria de complementar o complemento, se me o permite a autora. Estava mesmo tateando a ideia de uma lenda, ou conto, sobre a ligação entre almas, uma espécie de linha que as liga neste mundo. Para os que acreditam na possibilidade de várias existências isso pode ser considerado, já para outros, apenas uma coincidência, nada mais.

Mas o fato que permanece é que não sabemos bem como explicar a ligação que existe entre algumas pessoas, aquelas que passam por nossa existência, deixando marcas, perfumes e saudades. E, às vezes, elas se encontram. Afinal é essa a essencia dessas almas, encontrarem-se um dia. Enquanto esse encontro não acontece parece que há uma sensação de incompletitude, de que um vazio se forma no peito e não sabemos bem explicar o porquê. 

Eis aqui um breve resumo da lenda:

“Diz a velha lenda que há, no coração secreto do mundo, um fio azul — tênue como o suspiro que não ousa nascer — que liga duas almas que se procuram desde antes do tempo.

É um fio feito de silêncio e madrugada, desenhado na respiração do vento, e que atravessa vidas, distâncias, nomes que mudam e corpos que cansam.

Quando uma alma treme, a outra escuta.

Quando uma se perde, a outra acende um lume invisível, como quem chama de volta o que é seu por destino e ternura.

Não é um laço de posse, mas de promessa.

Não prende: convoca.

Não exige: reconhece.

E assim seguem as duas, errantes e eternas, cada qual levando no peito o eco azul do outro, até que um dia — no instante em que o mundo respira mais devagar — se reencontrem e compreendam, enfim, que nunca caminharam sós.”

Há, também, uma animação sobre isso, muito embora a minha versão seja um pouco diferente, a cor do fio que é azul e não vermelho, que vai acima, além disso é uma versão poética, meio florbeliana, que inventa uma simbologia própria: azul = serenidade, madrugada, silêncio, espiritualidade suave.

A versão tradicional do hilo rojo (fio vermelho) é mais mítica, nipônica, já estabelecida: vermelho = destino, paixão, ligação inevitável.

Mas a ideia central? Duas almas conectadas por um vínculo invisível que atravessa o tempo e o espaço.  

Vai aqui a animação…




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