segunda-feira, novembro 09, 2020

Dia de branco.. ou, dia de pôr o branco...

Uma expressão popular utilizada por muito tempo para significar a segunda-feira, dia de trabalho e que hoje é tida como racista é a do título deste post "Dia de Branco", por assim querer (eufemisticamente) dizer (ou significar) que o negro, preto ou pardo,  não trabalha... só os brancos. 

Para as novas práticas do politicamente correto, a expressão deve ser evitada por ter uma conotação racista, um racismo que é disfarçada em piada. 

Contudo, o termo pode ser também originado das práticas religiosas brasileiras de matriz africana, tais como a Umbanda, que tem o branco como a cor predominante de suas práticas religiosas e, por conseguinte, "dia de por o branco" é o dia de reunirem-se para suas atividades religiosas, geralmente na sexta-feira, dia do Orixá Oxalá, criador de todas as criaturas.

No Candomblé, outra religião brasileira de matriz africana, seus seguidos usam o Branco nas sextas-feiras, também em honra ao Orixá Oxalá. 

Dia de Branco também é o dia do Ano Novo, a cor significa, ou simboliza, Paz, sendo a cor dos renascimentos, ligadas aos ritos de passagem e às transformações.  

Então, caro amigo leitor, toda sexta-feira, todo sábado, ou, em alguns casos, toda segunda-feira, é dia de recomeçar, de reiniciar, de reinventar-se, daí a possibilidade de usar o que diz o ditado, "Dia de Branco!" - sem nenhuma conotação racista envolvida nisso!

Para terminar, vai aí uma música super ...



TODA SEXTA FEIRA COM Belô Velloso... 

bração



terça-feira, outubro 13, 2020

O Pássaro na Cruz

 

by Nêodo Noronha Dias


Um pássaro solitário, muito triste, pousa

na cruz de um cemitério abandonado,

parecendo um símbolo desgraçado

daquele que morreu, que já não vive.


Uma lágrima caiu-me, não a contive

olhando aquele quadro, aquela lousa.

Meu coração sentiu alguma cousa,

vendo na cruz o pássaro pousado. 


Hoje recordo aquele quadro triste,

e em minha ideia, hoje inda persiste,

(e isso é pior que vil tortura)


Não sei bem... mas tudo me faz crer,

que aquele pássaro sempre vai lá ver

um poeta em sua sepultura.

quarta-feira, agosto 19, 2020

Já que o dia não está prá peixe...

Já que o dia está bem nublado, como diz um velho ditado, o mar não está para peixe... vamos de leitura... torturante leitura desse famigerado livro do Huxley...

 

A minha edição, que tenho aqui em mãos, é de 1999, é a 25a. edição, livro de bolso da Ed. Globo. Sério!! estou perseguindo a leitura por entender que é preciso ir mais fundo nas digressões de Huxley sobre uma sociedade baseada na técnica e na ciência, num mundo em que a produção em massa (fordismo) é uma realidade pulsante, até mesmo na criação de novos seres humanos (?), todos formados a partir de manipulações genéticas e de estímulos sensoriais para determinadas tarefas, daí o surgimento de castas, cada uma num grau único do sistema social da sociedade pensada por Huxley (uma futurística distópica e impossível sociedade). 

Pensando mais sobre a obra, percebi que o autor a escreve por volta dos anos 30, logo, num momento em que a vida passava por momentos tão assustadores quanto o que vivemos nos dias de hoje. Se lá em 1929 a quebra da bolsa de Nova Iorque (EUA) e o pós-guerra (I Grande Guerra) e também a Gripe Espanhola, que assolou o mundo naquele início de século. Huxley escreve justamente nesse contexto. 

Além disso tudo, a possibilidade de uma sociedade totalitária parece ser uma das preocupações do autor, veja que ainda não havia um Hitler no momento em que foi escrito o livro. Essa sociedade totalitária seria responsável pela oferta da felicidade aos seus cidadãos, quase uma imposição! Claro que essa felicidade é a que é definida pela casta mais alta de tal sociedade. A dita sociedade se baseia no condicionamento psicológico (ele cita Pavlov - ou o neopavlovismo -  no qual são gravadas ou condicionadas as respostas que devem ter cada tipo de casta. 

Assusta-me o fato de que o autor escreve numa época em que a manipulação genética ainda não existia (ao menos na prática) e muitas outras coisas que aparecem na obra são realmente ficções, ao menos naquele momento. 

Se o autor denuncia um condicionamento dos apetites sociais de forma dura em sua obra, o que notamos hoje é justamente esse tipo de condicionamento. Em alguns momentos me pergunto se o computador atual, com a Internet e os serviços como Google, por exemplo, podem até mesmo ler nosso pensamento... coisa sinistra. 

Há momentos em que apenas penso em alguma coisa que gostaria de comprar ou ler e, por milagre não sei de que tipo, surgem as janelas pop-up na tela do computador oferecendo aquilo que pensei. SINISTRO!!!

Estaríamos condicionados já a esse ponto? Tal qual pensou Huxley? Os coockies e robts da Web parecem percorrer as redes em busca de rastros que deixamos, os algoritmos leem nosso pensamento? Seria a Internet o SOMA pensado por Huxley? 

De tudo que escrevi aqui, pode-se perceber que a leitura parece que vai continuar... vamos ver o que nos reserva as próximas páginas do livro. Até aqui estou mesmo assombrado com o que estou lendo e, posso asseverar: num tempo em que as coisas são efêmeras, nada existe para durar, que as obras envelhecem muito rapidamente, especialmente quando se trata de ficção? Parece que Huxley ainda é bastante atual. 

Voltemos à leitura. 

Bração.

terça-feira, agosto 18, 2020

Aqueles dias...

Sabe aqueles dias em que tudo sai perfeito? Pois é.. hoje não é um dia desses...

Na verdade é totalmente o contrátio! Nada se firma como uma verdade estonteante. iniciei a leitura do livro do Husley (Admirável mundo novo).. sinceramente, parei a leitura após o primeiro capítulo. Mas que asneira!!! Tanto ouvi falar desse livro, imaginava algo mais.. digamos, empolgante. 

Uma baboseira sem fim de manipulação genética, com um misto de psicologia barata. Não estou animado a perseguir o tormento da leitura desse famigerado livro. Será que existe um filme sobre a obra? Ou, que se baseie nela? Não sei.. vou pesquisar.. 

Enfim, credito o desânimo à temporada interminável desta quarentena que nos assola. Já lá se vão cinco meses de isolamento social...

Quem me dera poder sair um pouco.. um expresso na cafeteria. Passear nas ruas sem medo de algum tipo de contaminação. Tocar nas pessoas.. sentir o vento.. tudo isso nos causa medo e espanto nos dias de hoje. Sabe-se lá por quais lugares andaram, em quais coisas tocaram ou quais germes carregam em suas mãos e braços?

Estive pensando em como serão os relacionamentos futuros, os beijos e abraços.. não os daqueles casais que já se conhecem e convivem há algum tempo. Imagino como será o lance do novo contato, do novo relacionamento... Beijos? quando poderão serem dados? pegar na mão, abraçar,  fazer amor? Como ficará isso tudo? A Pandemia  deste século XXI nos apresenta dilemas que deverão ser enfrentados em breve... ou, como querem alguns: negados!

Eu, de minha parte, permaneço por aqui, em mim mesmo ensimesmado... que paradoxal! Pleonasticamente filosofando.. quem sabe o tal "Admirável mundo novo" de Husley seja isso mesmo, numa certa medida uma ditadura da ciência, produzindo uma sociedade totalitária e desumanizada. 

Quem sabe acabemos mesmo numa orgia sadomasoquista em que quem apanha ou bate sente prazer de uma ou de outra forma... ou, por outro modo, não o sente. 

É.. este não é, definitivamente, um daqueles dias em que tudo sai bem...

bração!

terça-feira, junho 16, 2020

Consumismo....


Dia desses fiz uma assinatura da Amazon Prime.. fiz a experiência grátis de 30 dias.. e hoje resolvi que vou fazer a assinatura.. pagarei R$ 9,90 por mês... e posso cancelar quando quiser..   

Nestes 30 dias grátis maratonei diversas séries, assisti diversos filmes. Gostei do serviço... mas hoje, ao fazer a assinatura Prime, acabei por visitar o site deles.. procurei alguns produtos e percebi que tem algumas coisas interessantes.. por fim, como Prime tenho alguns benefícios, como frete grátis, por exemplo... então, comprei um kit de bota + sapatênis + chinelos por 129$ e uma churrasqueira por $134.. tudo com frete grátis e entrega em poucos dias... vamos ver se a qualidade é boa, se vale a pena comprar por eles.. gostei!


A aparente normalidade...

É desalentador ver que, após anos e anos de estudos e pesquisas, da discussão ininterrupta de modelos e mecanismos de melhor aproveitamento da modalide de ensino a distância (EAD), com desenvolvimento por equipes de programadores, pedagogos, sociólogos, tecnólogos das mais diversas áreas, de ferramentas capazes de envolver o aluno e o professor em ambientes virtuais de aprendizagem, a forma adotada pelo governo atual (e por diversos governos estaduais) tem mais a ver com interesses escusos de lucopletarem-se do que ver o desenvolvimento da EAD de forma progressiva. 

Em recente matéria, o "The Intercept" discute justamente (discutir é um eufemismo - trata-se, na verdade, de denúncia!) sobre a contratação de ferramentas para Educação a Distância por governos estaduais, ferramentas sem um mínimo de consistência pedagógica ou de desenvolvimento pela comunidade de educação a distância no país. 

Os interesses econômicos e políticos estão, claramente, estreitamente interligados nas operações de contratação dessas (na verdade, apenas uma) ferramentas, desenvolvida por empresa sem a mínima  expertise na área,

Triste é ver que todos os esforços para o desenvolvimento de plataformas para a aprendizagem online se vêem simplesmente jogados ao lixo sem nenhum escrúpulo, sem nenhuma vergonha e descaradamente interligada a interesses políticos (mesmo que subliminares - cego é aquele que não quer ver) mesquinhos.

A velha política está mesmo entranhada no poder brasileiro. Aqueles que a ele chegam (poder) só desejam mesmo o enriquecimento fácil. Onde houver oportunidade de lucro alí colocará seus apaniguados e sequazes. Obscurantismo, demagogia, hipocrisia, e outros "ismos" mais só nos deixam a opção de desacreditar naquilo que vimos produzindo ao largo do tempo. 

Triste tempos esses em que vivemos!

segunda-feira, abril 13, 2020

Meu Natalício... Once Upon a time...

Hoje completo cinquenta e sete anos.. e o que a vida me deu? Se tive amores, eu os perdi todos.. se tive posses, eu as perdi todas.. se tive vitórias, eu já não as reconheço mais...

Hoje completo cinquenta e sete anos.. e o que a vida me deu? se me deu alguma coisa a perdi pelo caminho...

Hoje completo cinquenta e sete anos.. e o que eu tenho para comemorar? Talvez o fato de ser um ano a menos nesta crosta terrestre... desse vale de lágrimas.. dessa viagem que escolhi e não soube aproveitar as vezes que ela, a vida, me sorriu..

talvez eu seja assim, meio melancólico, meio desesperançoso... mas é que o tempo em que vivemos não é um tempo de alegrias.. não é um tempo de certezas.. na verdade é tudo, menos certezas....

Hoje completo cinquenta e sete anos.. e o que eu sei da vida? Nada! Ou quase tudo... sim.. quase tudo.. ou quase nada..

Algumas pessoas conseguem um riso tolo por um breve momento ao utlrapassar os limites de velocidade, ou se arrojar em penhascos em águas profundas.. ou simplesmente acordando e indo ao trabalho todo santo dia..

Algumas pessoas pensam viver, ou acreditam nisso, pelo simples fato de terem uma centena, ou milhares de seguidores em suas redes sociais... ou não...

Eu, por mim mesmo, não me importo com isso.. sei que poderia ter vivido mais, poderia ter vertido lágrimas ou risos em abundância em diversos momentos.. mas de que isso nos adianta?

Uma pessoa acorda cedo e vai trabalhar.. pega um ônibus lotado, demora horas para chegar.. atura clientes, patrões, colegas, e volta, cansado para casa.. para a mesma rotina.. e, se teve sorte, quem sabe tem um filho, ou uns, e uma companheira.. esperando.. para amá-lo... ou não...

Outras, não fazem nada.. simplesmente vivem de um canto ao outro, sem eira nem beira.. sem pouso certo.. e, um dia, cansado, se deixa abater..

Hoje completo cinquenta e sete anos.. e o que isso significa? Não sei...

vai aí um som para acompanhar este texto...

O tempo não apagou o que não terminou

O dia amanheceu cinzento, chuvoso e frio. Ainda assim, a certeza de que, em algum lugar longe daqui, você pensa em mim acalenta minha alma e...