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quinta-feira, janeiro 08, 2009

Remédio para o eugenismo????

A Pond's está vendendo um produto para clareamento da pele na Malásia, Índia e Coréia.. "Uma herança maldita, mas ainda em vigor nas sociedades pós-coloniais. Isto é, na maior parte do mundo. Como amostra, um símbolo. O anúncio de White Beauty (beleza branca), um creme da Pond’s da filial indiana da Unilever. Priyanka Chopra, uma das atrizes mais bonitas e famosas de Bollywood, sofre porque seu namorado, Saif Ali Khan, o herói indiano do momento, foi embora com a outra bonita da filmagem, Neha Dhupla. A garota abandonada vai recuperar seu amor quando conseguir ter uma pele mais pálida - graças, é claro, a White Beauty. O desenvolvimento desse famoso triângulo amoroso, anunciado em capítulos na televisão indiana, reabriu o debate sobre a grande obsessão pela pele branca nesse país, cuja maioria da população tem pele escura." (Síndrome de Estocolmo)




Isso é racismo??? Eugenia??? Ou somente aproveitamento de uma questão cultural? Parece que naqueles cantos do mundo se dá muito valor para a pele branca, e, neste sentido, a Pond's se aproveita do fato para vender um produto que promete branquear a pele em sete dias!! Seria isso? Ou seria mais que isso? Ficam as dúvidas.. .
Vejam o post do Blog Síndrome de Estocolmo sobre o assunto aqui....
bração...

Guerra total: massacre de civis

Folha de SP, 6.01.2008
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PAULO SÉRGIO PINHEIRO
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O que esperar nos próximos dias? Nada ou muito pouco, a não ser a intensificação da dança diplomática de visitas a Jerusalém e a Ramallah

GAZA TEM a mais alta densidade demográfica do mundo: mais de 4.000 pessoas por km2. Cerca de 1,5 milhão de pessoas numa área de 360 km2, imprensadas entre o mar e as fronteiras com Israel e Egito.
Em julho de 2005, em missão da ONU, visitei Israel e percorri de carro pelo interior toda a faixa desde a cidade de Gaza até Rafah. Voltei pela costa, desde a muralha de ferro marrom, qual uma escultura de Richard Serra, na fronteira com o Egito, visitei os campos de refugiados da guerra de 1967, mais espremidos ainda, em frente à praia.
Puro engodo bombardeios aéreos israelenses com "precisão cirúrgica". Impossível evitar vítimas civis como "dano colateral". Não há para onde escapar. Em pouco mais de uma semana, 512 palestinos foram mortos. Um quarto das vitimas, segundo a ONU, é de civis, mulheres e crianças.
Os feridos já são mais de 2.000 -e os hospitais não dão conta das amputações. Trinta e um soldados israelenses foram feridos nos ataques por terra e quatro civis israelenses foram mortos por foguetes de grupos do Hamas.
A desproporcionalidade entre a guerra total de Israel e os ataques de foguetes do Hamas ou a resistência à ocupação israelense -dos dois lados crimes de guerra sendo cometidos contra civis- fica patente, apesar do bloqueio à entrada de qualquer jornalista ocidental: o ocupante não quer testemunhas do massacre. Israel, ao fechar os acessos da fronteira de Gaza há meses, descumpre suas obrigações como potência ocupante e pune coletivamente a população civil.
O sistema de água e esgoto beira o colapso, pois os bombardeios destruíram as linhas de eletricidade e há meses não há combustível para gerar energia. Em flagrante descumprimento das convenções de Genebra e seus dois protocolos, estão sendo sistematicamente arrasados hospitais, ambulatórios e escolas, e mulheres e crianças são aterrorizadas.
Apesar de 30 caminhões com víveres e medicamentos terem sido autorizados a entrar em Gaza nos últimos dias, dificílimo fazer chegar esses estoques à população pela ausência de corredores humanitários.
A oposição dos Estados Unidos a um cessar-fogo e a um mero comunicado de imprensa ou declaração do presidente do Conselho de Segurança da ONU confirma esse apoio escancarado a uma das partes do conflito.
Entre os países árabes, há enorme divisão de posições em relação ao Hamas. O emir do Qatar há pouco propunha um cessar-fogo, dizia que "os horrores ocorrendo na faixa de Gaza obrigavam os líderes das nações árabes a se moverem" e clamava para a necessidade uma cúpula árabe para uma tomada de posição consequente.
Quanto à Europa, desde a eleição do Hamas, foi incapaz de ter iniciativas autônomas em relação ao governo Bush. Some-se a inação do enviado especial do quarteto para a Palestina ocupada (Rússia, EUA, União Europeia, ONU), Tony Blair, que nunca pôs os pés em Gaza. Apesar de a atual presidência tcheca da União Europeia atestar que a guerra deflagrada por Israel é "defensiva", a França condena o ataque por terra e o Reino Unido a deplora (o estoque de verbos diplomáticos é inesgotável!).
Na pasmaceira habitual da comunidade internacional, releve-se o firme repúdio do governo brasileiro à brutalidade e à desproporcionalidade da ofensiva de Israel contra Gaza. Está demonstrado que o não-reconhecimento das eleições legitimas (referendadas por Jimmy Carter) que levaram ao poder o Hamas e sua classificação como movimento terrorista foram decisões equivocadas. Amadorístico foi o apoio exclusivo dos EUA e da Europa ao Fatah e ao presidente Mahmoud Abbas, na Cisjordânia ocupada, na esperança de que a população de Gaza deixasse de apoiar o Hamas.
Essa política desastrada de isolamento do Hamas transformou Gaza num enclave condenado a condições de vida a cada dia mais semelhantes aos bantustões do regime do apartheid sul-africano. O que se pode esperar nos próximos dias? Nada ou muito pouco, a não ser a intensificação da dança diplomática de visitas a Jerusalém e a Ramallah, sede da Autoridade Nacional Palestina.
Como pano de fundo, bombardeios, o avanço da invasão por terra (e mar), a reocupação, massacre de civis, mais foguetes do Hamas, a caçada letal aos líderes do Hamas (e o trucidamento de suas mulheres e crianças) e mudança de regime em Gaza dissimulada.
Tudo deverá continuar até 20/1, quando tomará posse o presidente Obama, do qual se poderia esperar ao menos uma lamentação pelas perdas civis. Trágico começo de ano.

PAULO SÉRGIO PINHEIRO, 64, é professor-adjunto de relações internacionais da Brown University (EUA), pesquisador associado do Núcleo de Estudos da Violência da USP e membro da Comissão Teotônio Vilela. Foi secretário de Estado de Direitos Humanos no governo FHC.

Violência no Rio diminui

Folha, 01.01.2009
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A luta contra o crime não é questão partidária, mas de política de governo
GLÁUCIO SOARESESPECIAL PARA A FOLHA
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Os dados recém-divulgados sobre o decréscimo da violência no Rio de Janeiro mudam a estratégia eleitoral para os próximos pleitos. Até então, o único caso claramente exitoso era São Paulo, com uma drástica redução da criminalidade violenta que atravessou quatro administrações (e três governadores) estaduais, todos do PSDB.

Outro Estado que mostrou dados promissores, mas muito aquém de São Paulo, é Minas Gerais, que, no último quadriênio, reduziu a taxa de crescimento dos homicídios, que aumentaram mais devagar, e, nos últimos dois anos, a diminuiu.

Os crimes violentos baixaram. Como há e houve outras administrações tucanas sem bons resultados na luta contra a violência, é óbvio que não bastava ser tucano, mas a propaganda partidária sugeria que era necessário ser tucano para vencer a luta contra o crime.

Bravatas políticas

O cenário das administrações de outros partidos era negativo. Explosões de violência em Estados com administrações partidárias diferentes, como Alagoas, Bahia e Paraná. Em Pernambuco, a violência desafiou diferentes governadores, de diferentes partidos. Houve muita bravata política e poucos resultados.

A divulgação de que, nos nove primeiros meses do ano, os homicídios no Rio de Janeiro atingiram um nível muito baixo (alguns afirmando que era o mais baixo desde 1991), trouxe um brado partidário de alerta: afinal, era uma administração peemedebista, que sucedeu duas administrações catastróficas, igualmente peemedebistas, que obteve esses bons resultados.

Além da redução nos homicídios e nos furtos e roubos de automóveis, os autos de resistência (mortos pela polícia), calcanhar-de-aquiles da política de segurança do governador Sérgio Cabral, caíram um pouco em 2008, embora se mantenham num nível inaceitável. Os furtos e roubos de veículos, cujos dados são confiáveis, continuaram caindo, mas os grandes ganhos foram anteriores, nos primeiros 18 meses dessa mesma administração.

Falta de consenso

A segurança pública se transformou num tema eleitoral relevante, num momento em que poucos governadores apresentam ou apresentaram bons resultados. Ter um governador peemedebista com resultados positivos na luta contra o crime e a violência e algumas administrações tucanas com resultados negativos simplesmente demonstrou que não se trata de questão partidária, de que um partido teria know-how, bons gestores, e, os demais, não.

Não é o partido, mas as políticas de segurança adotadas pelo governador e, mais especificamente, pelo seu secretário de Segurança Pública.As políticas adotadas no Rio de Janeiro são consideradas duras, pela maioria dos analistas sérios, e até enfrentacionistas, pelos mais críticos. Diferem das implementadas em São Paulo, cuja explicação tampouco é consensual.

Há argumentos que enfatizam o crescimento do número de presos em São Paulo, outros que enfatizam a elevação da qualidade técnica e moral da polícia, outros que apontam para a redução da coorte jovem, mais inclinada aos crimes violentos, outras ainda apregoam os ganhos educacionais e muitas mais.

Não obstante, as políticas implementadas no Rio produziram resultados, inclusive algumas focalizadas, como as usadas em favelas e outras áreas específicas, os exemplos da favela Dona Marta e da Cidade de Deus sendo os mais recentes.

O crime e a violência, elementos-chave da segurança pública, entraram no debate político para ficar.

A relevância está indicada pela mídia.

O fato de o debate ter atingido a mídia acarretou sua melhora.Já não bastam citações eruditas, afirmações ideológicas ou bravatas políticas: o debate, em alguns Estados, já se faz com dados, com análises estatísticas crescentemente sofisticadas, nas quais quem afirma tem que demonstrar.
São boas notícias.