A REALIDADE DE UM SONHO (V)
NÊODO
Dia 7 de março - domingo
A Clarice (Cla) liga pro Nêodo: diz que o Alê está com ela e explica em poucas palavras o nosso estranho encontro. E se com a Cla o reconhecimento demorou pra acontecer, com o Nêodo foi muito rápido. Estou falando com a amiga quando olho para o lado e vejo o Nêodo que me pergunta onde está a "Gazzetta dello Sport". Ao mesmo tempo ele abraça a Cla e nesse momento reparo que eles nunca tinham se visto antes. Depois o Nêodo se volta pra mim e em poucos segundos consegue me deixar maravilhado, sem palavras. Mal acaba de me abraçar e me dá de presente um broche com as bandeiras do Brasil e da Itália cruzadas. Nem tive tempo de agradecer e ele pega as minhas malas. Eu não queria que levasse as malas, pois já achava estar incomodando toda a sua rotina e a da família. Nem pensar em fazê-lo trabalhar! Ele pára: tira do bolso um chaveiro com duas chaves. Que lindo chaveiro! Trata se da cobra que fuma, o símbolo da Fo...
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Mostrando postagens de abril, 2004
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A REALIDADE DE UM SONHO (IV)
CLARICE
Dia 7 de março – domingo
Eis agora que estou sentado no Galeão. Melhor: no Antonio Carlos Jobim, como o pequeno grupo que toca as canções do Mestre dentro do aeroporto faz lembrar. Depois de saudar o par italiano com o qual fiz a viajem de São Paulo, pela primeira (e única) vez me sinto só: fico olhando o encontro dos outros passageiros com o pessoal que espera por eles. Vou me sentar. Muito parecem estar aquí por trabalho, por duas vezes se aproxima um cara que procura provavelmente um funcionário de uma firma: mas não sou eu quem o cara está procurando. Olho o relógio: nossa!, tenho bastante tempo pra esperar. Nem sei se a saida pode ser aquela certa para o encontro: nem sei se quero ficar sentado ou dar um passeio dentro do aeroporto. Olho pra todo o lado com ar vadio. Entra uma garota: quase parecida à Clarice, vista daquí. Tomara fosse ela: é ainda mais bonita que nas fotos. Verdade que a aparência não é importante; a Cla foi muito g...
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CANTA, CANTA, MINHA GENTE
(Martinho da Vila)
"Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Cantem o samba de roda
O samba-canção e o samba rasgado
Cantem o samba de breque
O samba moderno e o samba quadrado
Cantem ciranda e frevo
O coco, maxixe, baião e xaxado
Mas não cantem essa moça bonita
Porque ela está com o marido do lado
Canta, canta minha gente
Deixa a tristeza pra lá
Canta forte, canta alto
Que a vida vai melhorar
Quem canta seus males espanta
Lá em cima do morro ou sambando no asfalto
Eu canto o samba-enredo
Um sambinha lento ou um partido alto
Há muito tempo não ouço
O tal do samba sincopado
Só não dá ...
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A REALIDADE DE UM SONHO (III)
OS PRIMEIROS MOMENTOS
Dia 7 de março – domingo
No percurso que tenho a fazer no imenso aeroporto de Guarulhos páro diante de uma grande janela: através dela vejo a lua cheia, bem redonda, que vai desaparecer aos poucos atrás dos morros. A luz do dia, o céu meio azul e meio cinzento (não sei porquê é madrugada ou porquê é a cor natural do céu paulista) me dão o “bom dia”: a lua é a primeira de uma série de imagens românticas que irão me acompanhar por toda a minha viagem.
Depois de passar pelos normais controles, eis que agora a língua portuguesa não é mais pra mim um simples prazer mas torna-se vital. E se daquí a poucas horas vou aprender que é melhor não fazer ver a própria situação de estrangeiro, aquí ser estrangeiro que faz de tudo pra falar a língua local ajuda muito. A gentileza do pessoal que encontro e ao qual peço ajuda pra pegar o avião certo, dá o resultado esperado. Na verdade mais que o esperado: o meu avião está atrasado mas a fu...
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BUONA PASQUA
Permettetemi ogni tanto di scrivere in italiano, dando così al Blog un certo sapore internazionale...
Buona Pasqua al fratello Nêodo e alla sua meravigliosa famiglia, alla Cla e alla sua altrettanto meravigliosa famiglia, alle persone (meravigliose, tanto per cambiare) che ho conosciuto a Rio, ai lettori del Diário.
Saluti,
Alessandro
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A REALIDADE DE UM SONHO (II)
VIAGEM - 2°
Dia 7 de março – domingo
Não vou contar a viagem minuto por minuto, fiquem tranquilos. Só digo que
entrei em terras brasileiras sobrevoando Recife e passei sobre Belo Horizonte antes de aterrar em Guarulhos. Só que era escuro, sendo noite. Nada se via.
Estou sentado bem no centro do avião quando o capitão anuncia que vamos começar a descer. Fora, as primeiras luzes esclarecem o dia. Está nublado, não consigo ver nada. Só repito que aquela que estou vendo é a luz do Brasil…do meu Brasil. Tenho que me destrair: pensando assim, além de ser pensamentos de criança, as lagrimas querem sair dos meus olhos. Tudo bem se fosse sozinho: mas o avião está cheio, as minhas emoções têm que estar fortes mas seguradas dentro de mim. Descendo descendo eis que pela primeira vez vejo o Brasil. “Ale, o Brasil, o Brasil…acredite, isso não é sonho não…Estás vendo a realidade…”. Sim, o Alessandro está pela primeira vez vendo a Terra Brasilis. Não se...
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A REALIDADE DE UM SONHO (I)
(não é por vaidade que dei um título, mas só pra distinguir os posts do conto da minha vida carioca dos outros posts)
PREMESSA
Este deveria ser uma espécie de “capítulo IV” dos filmes da série “Star wars”. Tudo que aconteceu antes, do 1980 até hoje, foi contado aquí neste Blog em alguns posts que escrevi. Não tudo foi dito mas os leitores fiéis já podem ter uma idéia da minha paixão pelo Brasil e o meu relacionamento com esta terra. Vinte quatro anos depois do começo do namoro, no dia 7 de março 2004 – domingo - o encontro aconteceu. Esta é uma relação feita principalmente com o coração deste encontro: que me perdoem os erros gramaticais, os erros de forma. Espero que o que eu senti dentro de mim possa ser compreendido, porquê estou longe de ser um escritor. Muitas coisas vou me esquecer e se a memória volta vou fazer um “post scriptum” no final deste conto que irá se espalhar por algum tempo.
PENSAMENTO
“Porquê a poesia foi para mim uma mulhe...
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TANTA SAUDADE
(Djavan - Chico Buarque, 1983)
Era tanta saudade
É, pra matar
Eu fiquei até doente
Eu fiquei até doente, menina
Se eu não mato a saudade
É, deixa estar
Saudade mata a gente
Saudade mata a gente, menina
Quis saber o que é o desejo
De onde ele vem
Fui até o centro da terra
E é mais além
Procurei uma saída
O amor não tem
Estava ficando louco
Louco, louco de querer bem
Quis chegar até o limite
De uma paixão
Baldear o oceano
Com a minha mão
Encontrar o sal da vida
E a solidão
Esgotar o apetite
Todo o apetite do coração
Mas voltou a saudade
É, pra ficar
Ai, eu encarei de frente
Ai, eu encarei de frente, menina
Se eu ficar na saudade
É, deixa estar
Saudade engole a gente
Saudade engole a gente, menina
Ai, amor, miragem minha, minha linha do horizonte, é monte atrás de monte, é monte, a fonte nunca mais que seca
Ai, saudade, inda sou moço, aquele poço não tem fundo, é um mundo e dentro um mundo e dentro um mundo e dentro é um mundo q...
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MOSAICO
Uma amiga de minha irmã Daniela é uma número um em fazer mosaicos e trabalhos afins. Ela namorava um homem meu xará. Por ele fez um mosaico, aproximadamente um quadrado de 25/30 centímetros de lado, com o nome dele em cor de azul. Lindo de verdade!
Mas o diabo tem que desfazer as coisas: o namoro acabou e a pobrezinha ficou com este mosaico com o nome "Alessandro". Não sabendo o que ela poderia fazer do trabalho....
Adivinhem onde está agora o mosaico!
CONTOS FLUMINENSES...
Daquí a pouco vou começar a contar os meus dias brasileiros...
Abraços,
Alê