Entre ficar e partir: quando amar também é ajustar

Há momentos em que o amor não acaba — ele se transforma em pergunta.

Continuar ou parar? Seguir juntos ou admitir que algo mudou? Nem sempre o dilema nasce da ausência de sentimento. Às vezes, nasce das diferenças na forma de expressá-lo.

Dois corações podem amar com a mesma verdade, ainda que com intensidades próprias. Um demonstra afeto na constância das ligações, na necessidade de ouvir a voz várias vezes ao dia. O outro expressa amor com mais silêncio, com mais espaço, com menos chamadas — não por falta de sentimento, mas por uma maneira diferente de existir dentro da relação.

Amar não é competir por quem sente mais. É reconhecer que cada um sente à sua maneira.

Quando o diálogo acontece com maturidade, o amor cresce. Não se trata de provar quem está certo, mas de compreender o que o outro precisa para se sentir seguro e respeitado.

O acordo não representa perda. Representa cuidado. Um decide reduzir os excessos que podem sufocar. O outro se compromete a se fazer presente quando sentir vontade — não por obrigação, mas por escolha.

As dificuldades da vida testam vínculos. A rotina, o cansaço e as inseguranças criam ruídos. Ainda assim, aquilo que o tempo construiu com verdade não se desfaz ao primeiro impasse. Fortalece-se quando ambos escolhem permanecer, ajustando expectativas sem abandonar a essência.

Entre ficar e partir, às vezes a resposta não está em ir embora, mas em aprender a permanecer de forma mais consciente.

Porque quando o sentimento é real, ele não precisa ser idêntico para ser legítimo.

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