quarta-feira, agosto 19, 2020

Já que o dia não está prá peixe...

Já que o dia está bem nublado, como diz um velho ditado, o mar não está para peixe... vamos de leitura... torturante leitura desse famigerado livro do Huxley...

 

A minha edição, que tenho aqui em mãos, é de 1999, é a 25a. edição, livro de bolso da Ed. Globo. Sério!! estou perseguindo a leitura por entender que é preciso ir mais fundo nas digressões de Huxley sobre uma sociedade baseada na técnica e na ciência, num mundo em que a produção em massa (fordismo) é uma realidade pulsante, até mesmo na criação de novos seres humanos (?), todos formados a partir de manipulações genéticas e de estímulos sensoriais para determinadas tarefas, daí o surgimento de castas, cada uma num grau único do sistema social da sociedade pensada por Huxley (uma futurística distópica e impossível sociedade). 

Pensando mais sobre a obra, percebi que o autor a escreve por volta dos anos 30, logo, num momento em que a vida passava por momentos tão assustadores quanto o que vivemos nos dias de hoje. Se lá em 1929 a quebra da bolsa de Nova Iorque (EUA) e o pós-guerra (I Grande Guerra) e também a Gripe Espanhola, que assolou o mundo naquele início de século. Huxley escreve justamente nesse contexto. 

Além disso tudo, a possibilidade de uma sociedade totalitária parece ser uma das preocupações do autor, veja que ainda não havia um Hitler no momento em que foi escrito o livro. Essa sociedade totalitária seria responsável pela oferta da felicidade aos seus cidadãos, quase uma imposição! Claro que essa felicidade é a que é definida pela casta mais alta de tal sociedade. A dita sociedade se baseia no condicionamento psicológico (ele cita Pavlov - ou o neopavlovismo -  no qual são gravadas ou condicionadas as respostas que devem ter cada tipo de casta. 

Assusta-me o fato de que o autor escreve numa época em que a manipulação genética ainda não existia (ao menos na prática) e muitas outras coisas que aparecem na obra são realmente ficções, ao menos naquele momento. 

Se o autor denuncia um condicionamento dos apetites sociais de forma dura em sua obra, o que notamos hoje é justamente esse tipo de condicionamento. Em alguns momentos me pergunto se o computador atual, com a Internet e os serviços como Google, por exemplo, podem até mesmo ler nosso pensamento... coisa sinistra. 

Há momentos em que apenas penso em alguma coisa que gostaria de comprar ou ler e, por milagre não sei de que tipo, surgem as janelas pop-up na tela do computador oferecendo aquilo que pensei. SINISTRO!!!

Estaríamos condicionados já a esse ponto? Tal qual pensou Huxley? Os coockies e robts da Web parecem percorrer as redes em busca de rastros que deixamos, os algoritmos leem nosso pensamento? Seria a Internet o SOMA pensado por Huxley? 

De tudo que escrevi aqui, pode-se perceber que a leitura parece que vai continuar... vamos ver o que nos reserva as próximas páginas do livro. Até aqui estou mesmo assombrado com o que estou lendo e, posso asseverar: num tempo em que as coisas são efêmeras, nada existe para durar, que as obras envelhecem muito rapidamente, especialmente quando se trata de ficção? Parece que Huxley ainda é bastante atual. 

Voltemos à leitura. 

Bração.

terça-feira, agosto 18, 2020

Aqueles dias...

Sabe aqueles dias em que tudo sai perfeito? Pois é.. hoje não é um dia desses...

Na verdade é totalmente o contrátio! Nada se firma como uma verdade estonteante. iniciei a leitura do livro do Husley (Admirável mundo novo).. sinceramente, parei a leitura após o primeiro capítulo. Mas que asneira!!! Tanto ouvi falar desse livro, imaginava algo mais.. digamos, empolgante. 

Uma baboseira sem fim de manipulação genética, com um misto de psicologia barata. Não estou animado a perseguir o tormento da leitura desse famigerado livro. Será que existe um filme sobre a obra? Ou, que se baseie nela? Não sei.. vou pesquisar.. 

Enfim, credito o desânimo à temporada interminável desta quarentena que nos assola. Já lá se vão cinco meses de isolamento social...

Quem me dera poder sair um pouco.. um expresso na cafeteria. Passear nas ruas sem medo de algum tipo de contaminação. Tocar nas pessoas.. sentir o vento.. tudo isso nos causa medo e espanto nos dias de hoje. Sabe-se lá por quais lugares andaram, em quais coisas tocaram ou quais germes carregam em suas mãos e braços?

Estive pensando em como serão os relacionamentos futuros, os beijos e abraços.. não os daqueles casais que já se conhecem e convivem há algum tempo. Imagino como será o lance do novo contato, do novo relacionamento... Beijos? quando poderão serem dados? pegar na mão, abraçar,  fazer amor? Como ficará isso tudo? A Pandemia  deste século XXI nos apresenta dilemas que deverão ser enfrentados em breve... ou, como querem alguns: negados!

Eu, de minha parte, permaneço por aqui, em mim mesmo ensimesmado... que paradoxal! Pleonasticamente filosofando.. quem sabe o tal "Admirável mundo novo" de Husley seja isso mesmo, numa certa medida uma ditadura da ciência, produzindo uma sociedade totalitária e desumanizada. 

Quem sabe acabemos mesmo numa orgia sadomasoquista em que quem apanha ou bate sente prazer de uma ou de outra forma... ou, por outro modo, não o sente. 

É.. este não é, definitivamente, um daqueles dias em que tudo sai bem...

bração!

O tempo não apagou o que não terminou

O dia amanheceu cinzento, chuvoso e frio. Ainda assim, a certeza de que, em algum lugar longe daqui, você pensa em mim acalenta minha alma e...